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A Poesia Desconhecida

A Poesia Desconhecida

04
Jul17

O CESTO DE DAVIR JACQUES LOUIS

Talis Andrade

       

Octobre_1793.jpg

 

 

 

 

No espelho dos teus olhos       

o desejo de me ver       

que seja uma única vez         

 

Eu pago o preço       

mesmo que custe       

o temido castigo       

de ter os olhos       

para sempre vendados       

com uma faixa tecida       

por hábil tricotadeira       

todos os dias       

ajoelhada       

com as companheiras       

junto à guilhotina -       

alegre vivandeira       

do terror       

o terror político       

transformado       

em espetáculo         

 

O rosto voltado       

para a terra       

a cabeça decepada       

em um só golpe       

a cabeça jogada       

no cesto forrado       

com seco capim       

para absolver       

o sangue golfado         

 

No horrendo cesto       

sanguinoso cesto       

em que revoam       

um enxame de almas       

a cabeça mumificada       

por Davir       

os olhos abertos       

revirados de cego       

que mais desejam ver 

 

 

---

Ilustração Paris, outubro, 1793

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