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A Poesia Desconhecida

A Poesia Desconhecida

19
Jul17

A SENTIDA VIDA

Talis Andrade

 

 

 

fcogoitia.jpg

 

 

Pensava a vida       

fosse sentida       

na provação       

dos contrários       

 

A dor a tristeza       

intentos necessários       

experimentação       

para o corpo       

sentir a intensidade       

de um desejo         

 

Esperava       

do ensejo       

de um momento feliz       

tirar o provento       

benfazejo         

 

Hoje sei a tristeza       

uma doença de nascença      

Hoje sei a tristeza       

um estado de ser 
 
 
 

05
Abr17

SUEIRA

Talis Andrade

A vida uma encenação

a cada representação

se sinto dor eu vivo  

 

A felicidade uma idealização

do jardim das delícias

o reino encantado de Pasárgada

o faz-de-conta a vida

um conto de fadas  

 

A vida uma encenação

um estropio o corpo

consumido no trabalho

repetitivo e cansativo 


 

Hieronymus_Bosch_ O Jardim das Delícias Terranas.

 Ilustração: O Jardim das Delícias Terrenas, painel central, detailhe,por Jheronimus Bosch 

03
Abr17

ALGÔMETRO

Talis Andrade

a persistência da memória dalí.jpg

Os sentidos vicariados

os dias contados

em um relógio

sem ponteiros 

 

a dor             

nos deixa acordados 
 


 

 

---

Ilustração:  
 “A persistência da memória”, 1931, por Salvador Dalí

do

02
Abr17

ENCOSTO

Talis Andrade

Apostando com a dor  Viktor Safonkin.jpg

 

 

 

Estranho poder             

me toma o corpo

Tudo acontece

como se me                         

transformasse             

em uma outra pessoa

 

Na carne que rasteja

na carne que lateja

o meu corpo age  

como que possuído

por indefinida

invisível força

 

Estranho poder            

me toma o corpo

doendo em mim

como um encosto

maligno e ruim  

 

Dor ferida

camuflada             

de vidas passadas

 

Errática             

dor referida       

atípica             

que fustiga    

 

Dor cansada       

antiga             

que nunca termina 
 
 
 
 

 

 

 

---

Ilustração: Apostando com a dor, por Viktor Safonkin

 

28
Mar17

REBIS

Talis Andrade

 

rebis .jpg

 

 

 

 

Caminho curvado

como um condenado

como se fosse

proibido viver

o milagre da vida

em sua plenitude

 

como se apenas

fosse permitido

um escasso amor

um escasso sexo

como se estivesse

obrigado a andejar

apenas metade

de um caminho  

 

Caminho curvado

como um condenado

o coração vazio

o vazio de me sentir

incompleto

como se faltasse

um lado do corpo  

 

Caminho curvado

eu e uma societária

dor fantasma

dor descontinuada

alucinatória percepção

de uma parte amputada

como punição divina  

 

2  

 

Homem ou fêmea

o que fazer do corpo

quando se sente o corpo

como um peso morto  

 

Homem ou fêmea

daimon demônio

o oposto posto

como continuação

do contrário

 

3

 

O que fazer do corpo

que se torce retorce

nos estertores da morte

os tremores idênticos

aos do orgasmo  

 

Homem ou fêmea

o que fazer do corpo

quando me sinto

dividido em dois

 

um lado vivo

um lado morto  

 

4  

 

O que fazer do corpo

quando se tem

uma parte doente

 

sofrida parte

limitada a todo

o lado esquerdo

como se um raio

lançado por Zeus

tivesse me partido

ao meio

 

como se um raio invisível

tivesse me dividido

uma metade podre

uma metade sensível  

 

O que fazer

da parte cortada

apartada parte

jogada fora

 

parte contrária

feminina parte

perdida parte

carne carniça

sanguento pasto

para os urubus

 

fremente parte

parte partida

que se estorce

 

 

cortado rabo

o rabo largado

o rabo tremente

de uma lagartixa

que se debate

no asfalto quente 
 
 
 
 
 


 

 

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